Os Jogos Olímpicos de 1900, os segundos da Olimpíada, foram sediados em Paris, França. Inicialmente, conforme exposto anteriormente, o Barão de Coubertin desejava que os mesmos tivessem sido o marco inicial do renascimento dos Jogos Olímpicos, entretanto, o apoio e o entusiasmo dos gregos em reviver seu passado histórico fez com que o Comitê Olímpico Internacional (COI) antecipasse o evento para 1896 e o transferisse para Atenas. Ainda assim, o desejo do Barão de Coubertin em realizar os Jogos de 1900 em Paris foi mantido.
Os Jogos de Paris foram marcados: pela enorme desorganização; pelo caráter secundário que assumiram diante da Feira Mundial; pela aceitação das mulheres nos Jogos Olímpicos; pelas interferências de questões religiosas dos norte-americanos; e pela morte de animais em competições.
Coubertin acreditava que a realização dos Jogos de 1900 em conjugação com a Exposição Universal Internacional, conhecida como "Feira Mundial", que naquele ano ocorreria em Paris, iria aumentar sua qualidade, mas seu plano fracassou. Os Organizadores da Feira Mundial assumiram o controle das competições esportivas e os eventos foram programados sem coesão e sua duração se arrastou por mais de 5 meses (WALLECHINSKY, 2004). Segundo Coote (1980), os franceses estiveram indiferentes em relação aos Jogos, já que seus interesses estavam voltados unicamente para a Feira Mundial e para a Torre Eiffel, que estava sendo construída naquela época.
A desorganização foi ampla e, conforme observa Fauria (1968), as competições incluíram esportes oficialmente reconhecidos e outros que não eram reconhecidos, com campeonatos do mundo para amadores e profissionais, dispersos por várias áreas da capital. A maioria dos atletas teve que buscar hospedagem por conta própria, e a situação chegou a tal ponto que, por exemplo, Fauria (1968) cita o caso dos alemães, que não foram recebidos por nenhuma autoridade e ainda tiveram que perambular pelas ruas de Paris em busca dos "Jogos Olímpicos". Giller (1984), afirma que a pouca publicidade que foi dada ao evento ainda omitiu a expressão "Jogos Olímpicos", colocando-os como parte integrante do "Encontro Internacional de Exercícios Físicos e Esporte".
O descaso dos organizadores foi tão grande que as competições de Atletismo, o esporte nobre dos Jogos, foram realizadas no Bosque de Boulogne, sem que houvesse a construção de uma pista de carvão, material utilizado na época. Os franceses simplesmente fizeram as marcas da pista no gramado verde de um pequeno campo aberto chamado Pré-Catalan. O percurso das provas de corrida apresentou aclives e declives. Os lançadores de disco e de martelo tiveram suas tentativas prejudicadas pelas árvores que se encontravam na área de competição, e os locais das provas de salto eram tão impróprios que os saltadores tiveram que cavar e revolver a terra com os pés (KIERAN, DALEY & JORDAN, 1977).
Determinar exatamente que provas foram reconhecidas como olímpicas foi uma tarefa difícil. Arnold (1983, p.17) afirma:
(...) Não foi mesmo claro naquela época que os Jogos Olímpicos estivessem ocorrendo, o programa e a maioria das reportagens dos jornais os descreviam como Campeonato Internacional da Exposição Universal. Nem os resultados são inteiramente confiáveis, como não foi até 1912 que o COI reconstruiu os resultados e as medalhas concedidas
Wallechinsky (2004) observa que muitos atletas morreram sem ao menos saberem que tinham participado dos Jogos Olímpicos.
As competições que posteriormente foram reconhecidas como oficiais pelo Comitê Olímpico Internacional se iniciaram no dia 20 de Maio e se encerraram no dia 28 de Outubro. Entretanto, não houve qualquer Cerimônia de Abertura ou Encerramento. Conforme Kaiser (2000), um total de 1.227 participantes, incluindo 21 mulheres, de 26 países, competiu em 95 provas em 20 modalidades esportivas. Porém, as estatísticas variam conforme o historiador, em virtude das confusas fontes de informação. Wallechinsky (2004) aponta um número de aproximadamente 1.118 participantes de 28 países, incluindo 21 mulheres, que competiram em 75 provas.
Os Jogos Olímpicos de 1900, apesar de tumultuados, marcaram a primeira aparição das mulheres nos Jogos Modernos (WALLECHINSKY, 2004), apesar da oposição do Barão de Coubertin. Como lembra Gherarducci (1984), Coubertin era rigidamente anti-feminista e não desejava a participação das mulheres nos Jogos, lembrando que na antiguidade elas sequer poderiam assisti-los. Porém, teve que se curvar à modernidade dos tempos e ao conseqüente aumento da participação feminina na sociedade. As primeiras a competir foram as francesas Mme. Brohy e Mlle. Ohnier no croquet. A britânica Charlotte Cooper, no Tênis, tornou-se a primeira campeã olímpica (WALLECHINSKY, 2004).
A crença religiosa dos norte-americanos, que se recusavam a competir aos Domingos, causou certa tensão em Paris. No dia 14 de Julho, num sábado, estavam previstas competições finais de Atletismo, mas a data coincidia com o feriado francês em que se comemorava a tomada da Bastilha, dia de muitas comemorações na França, inclusive com parada militar. Temendo pouca presença de público, os organizadores transferiram as competições para o Domingo, dia sagrado para norte-americanos e ingleses, que acabaram, em sua maioria, ausentando-se (SHTEINBAKH, 1981).
Os Jogos de Paris apresentaram uma grande variedade de provas que não mais integraram o programa olímpico, como salto em altura e distância no Hipismo e nado submerso e com obstáculos na Natação. Porém, a que mais causaria mal-estar nos dias atuais foi a de tiro ao pombo vivo, contrariando qualquer sentimento ecológico. Este foi o comentário de Wallechinsky (1996, p.606) a respeito da prova: "Este odioso evento marcou a única vez na história olímpica que animais foram mortos de propósito".
Finalizando, os Jogos Olímpicos de 1900 poderiam ser resumidos na palavra "desorganização". Entretanto, conforme percebe Shteinbakh (1981, p.37), mostraram "o crescimento dos resultados técnicos e desportivos e reafirmaram a vitalidade das competições olímpicas". Além disso, foi o marco inicial da aceitação das mulheres no universo olímpico.
Os Jogos de Paris foram marcados: pela enorme desorganização; pelo caráter secundário que assumiram diante da Feira Mundial; pela aceitação das mulheres nos Jogos Olímpicos; pelas interferências de questões religiosas dos norte-americanos; e pela morte de animais em competições.
Coubertin acreditava que a realização dos Jogos de 1900 em conjugação com a Exposição Universal Internacional, conhecida como "Feira Mundial", que naquele ano ocorreria em Paris, iria aumentar sua qualidade, mas seu plano fracassou. Os Organizadores da Feira Mundial assumiram o controle das competições esportivas e os eventos foram programados sem coesão e sua duração se arrastou por mais de 5 meses (WALLECHINSKY, 2004). Segundo Coote (1980), os franceses estiveram indiferentes em relação aos Jogos, já que seus interesses estavam voltados unicamente para a Feira Mundial e para a Torre Eiffel, que estava sendo construída naquela época.
A desorganização foi ampla e, conforme observa Fauria (1968), as competições incluíram esportes oficialmente reconhecidos e outros que não eram reconhecidos, com campeonatos do mundo para amadores e profissionais, dispersos por várias áreas da capital. A maioria dos atletas teve que buscar hospedagem por conta própria, e a situação chegou a tal ponto que, por exemplo, Fauria (1968) cita o caso dos alemães, que não foram recebidos por nenhuma autoridade e ainda tiveram que perambular pelas ruas de Paris em busca dos "Jogos Olímpicos". Giller (1984), afirma que a pouca publicidade que foi dada ao evento ainda omitiu a expressão "Jogos Olímpicos", colocando-os como parte integrante do "Encontro Internacional de Exercícios Físicos e Esporte".
O descaso dos organizadores foi tão grande que as competições de Atletismo, o esporte nobre dos Jogos, foram realizadas no Bosque de Boulogne, sem que houvesse a construção de uma pista de carvão, material utilizado na época. Os franceses simplesmente fizeram as marcas da pista no gramado verde de um pequeno campo aberto chamado Pré-Catalan. O percurso das provas de corrida apresentou aclives e declives. Os lançadores de disco e de martelo tiveram suas tentativas prejudicadas pelas árvores que se encontravam na área de competição, e os locais das provas de salto eram tão impróprios que os saltadores tiveram que cavar e revolver a terra com os pés (KIERAN, DALEY & JORDAN, 1977).
Determinar exatamente que provas foram reconhecidas como olímpicas foi uma tarefa difícil. Arnold (1983, p.17) afirma:
(...) Não foi mesmo claro naquela época que os Jogos Olímpicos estivessem ocorrendo, o programa e a maioria das reportagens dos jornais os descreviam como Campeonato Internacional da Exposição Universal. Nem os resultados são inteiramente confiáveis, como não foi até 1912 que o COI reconstruiu os resultados e as medalhas concedidas
Wallechinsky (2004) observa que muitos atletas morreram sem ao menos saberem que tinham participado dos Jogos Olímpicos.
As competições que posteriormente foram reconhecidas como oficiais pelo Comitê Olímpico Internacional se iniciaram no dia 20 de Maio e se encerraram no dia 28 de Outubro. Entretanto, não houve qualquer Cerimônia de Abertura ou Encerramento. Conforme Kaiser (2000), um total de 1.227 participantes, incluindo 21 mulheres, de 26 países, competiu em 95 provas em 20 modalidades esportivas. Porém, as estatísticas variam conforme o historiador, em virtude das confusas fontes de informação. Wallechinsky (2004) aponta um número de aproximadamente 1.118 participantes de 28 países, incluindo 21 mulheres, que competiram em 75 provas.
Os Jogos Olímpicos de 1900, apesar de tumultuados, marcaram a primeira aparição das mulheres nos Jogos Modernos (WALLECHINSKY, 2004), apesar da oposição do Barão de Coubertin. Como lembra Gherarducci (1984), Coubertin era rigidamente anti-feminista e não desejava a participação das mulheres nos Jogos, lembrando que na antiguidade elas sequer poderiam assisti-los. Porém, teve que se curvar à modernidade dos tempos e ao conseqüente aumento da participação feminina na sociedade. As primeiras a competir foram as francesas Mme. Brohy e Mlle. Ohnier no croquet. A britânica Charlotte Cooper, no Tênis, tornou-se a primeira campeã olímpica (WALLECHINSKY, 2004).
A crença religiosa dos norte-americanos, que se recusavam a competir aos Domingos, causou certa tensão em Paris. No dia 14 de Julho, num sábado, estavam previstas competições finais de Atletismo, mas a data coincidia com o feriado francês em que se comemorava a tomada da Bastilha, dia de muitas comemorações na França, inclusive com parada militar. Temendo pouca presença de público, os organizadores transferiram as competições para o Domingo, dia sagrado para norte-americanos e ingleses, que acabaram, em sua maioria, ausentando-se (SHTEINBAKH, 1981).
Os Jogos de Paris apresentaram uma grande variedade de provas que não mais integraram o programa olímpico, como salto em altura e distância no Hipismo e nado submerso e com obstáculos na Natação. Porém, a que mais causaria mal-estar nos dias atuais foi a de tiro ao pombo vivo, contrariando qualquer sentimento ecológico. Este foi o comentário de Wallechinsky (1996, p.606) a respeito da prova: "Este odioso evento marcou a única vez na história olímpica que animais foram mortos de propósito".
Finalizando, os Jogos Olímpicos de 1900 poderiam ser resumidos na palavra "desorganização". Entretanto, conforme percebe Shteinbakh (1981, p.37), mostraram "o crescimento dos resultados técnicos e desportivos e reafirmaram a vitalidade das competições olímpicas". Além disso, foi o marco inicial da aceitação das mulheres no universo olímpico.
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